Baggio Sedado


Baggio Sedado: o documentário
Dezembro 7, 2007, 8:08 pm
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Parte 5

Parte 6



Fotos do Documentário Baggio Sedado
Novembro 14, 2007, 1:39 pm
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Prata da Casa exibe documentário ‘Baggio Sedado’
Novembro 14, 2007, 1:31 pm
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A próxima edição do Projeto Prata da Casa guarda uma grata surpresa para ser apresentada no palco do Teatro Atheneu. Além da vitalidade da banda The Baggios e da música da cantora Márcia Chou, o evento abriga a primeira exibição pública do documentário Baggio Sedado. Dirigido a quatro mãos pelo jornalista Diego Oliveira e pelo músico Júlio Andrade, o filme resgata um pouco da história de José Sinval dos Santos, artista de São Cristóvão que influenciou uma geração inteira de jovens da cidade histórica, e ficou conhecido simplesmente como Baggio, depois de sucumbir à loucura. Em conversa com o Jornal do Dia, Diego Oliveira e Júlio Andrade refletem a respeito das dificuldades impostas à criação artística, falam sobre a ingerência das administrações públicas e da necessidade de uma política cultural comprometida com a realização local.

 

Jornal do Dia – A banda The Baggios adotou como paradigma uma pessoa que, a despeito de seu potencial criativo, foi vitimado por normas e circunstâncias que lhe impediram de alcançar seus objetivos. A banda não tem medo de repetir essa história?

 

Julio Andrade – Claro que não! Temos consciência de que vivemos pra perder e ganhar, e de que só conseguiremos algo se tentarmos. Tento abstrair esse medo e a negatividade, pois eles sugam o que temos de melhor pra oferecer.

 

JD – Diego, como foi que você entrou em contato com a banda e como tomou conhecimento dessa história toda que está por trás de seu batismo?

 

Diego Oliveira – Morei por um tempo na cidade de São Cristóvão. Tempo suficiente para aprender a contemplar sua beleza e reconhecer seus defeitos. Nesse tempo conheci também uma banda de rock com letras em inglês, mas que, curiosamente, diziam muito sobre a cidade, seu sotaque e suas cores barrocas. A história de Baggio veio para mim depois. O esquisito é que, como milhares de cidadãos de lá, eu já havia passado pelo cara por diversas vezes sem lhe prestar atenção. A música e as letras da The Baggios me mostraram um outro lado de Baggio e da própria cidade.

 

JD – Júlio, vocês começaram cantando em inglês? Como foi isso? Porque resolveram cantar em português? Tem a ver com isso de mostrar a cidade para seus moradores?

 

Júlio Andrade – Nossas maiores influências vinham da música norte-americana, do Mississipi, Texas, Seatle, Detroit, Nova York, então eu tinha mais facilidade de escrever e fazer melodias em cima da letra em inglês. Depois eu comecei a conhecer bandas brasileiras como Spectrum, Assim Assado, Blow Up, bandas escondidas do rock brasileiro, e assim fui me familiarizando com melodias em português. Outro motivo é que achei que cantar em português facilitaria a compreensão e aceitação do público. A cidade foi uma conseqüência. Eu notava que as pessoas procuravam refúgio, distração, consolo, em bares, no álcool e de outras formas não tão legais, e sentia que eles estavam se esbarrando num muro chamado tédio.

 

JD – Também queria falar sobre isso. Deve ser muito difícil viver numa cidade como São Cristóvão. Na opinião de vocês, os governos respeitam a riqueza histórica e cultural da cidade? O incentivo à produção artística poderia ser um meio de levar prosperidade para uma cidade como aquela?

 

Júlio Andrade – Acho que sim. Todo artista que pensa em divulgar sua arte precisa de incentivo. Pelo que observo, não apenas em São Cristóvão, mas em Sergipe inteiro os artistas buscam isso, independente de produtores, senão todos ficariam parados. Acho que essa penúria não deveria ser associada a São Cristóvão. Isso é uma realidade em todo o Estado. Seria injusto apontar São Cristóvão como modelo.

Diego Oliveira – Eu acho que, no estágio em que a cidade se encontra, na verdade, embora a cultura esteja entre as melhorias necessárias, acho que não é um investimento prioritário. De uma forma ou de outra a cultura do povo se sobressai e sobrevive aos governos extirpadores. Acho que o povo da cidade necessita agora de educação, saúde e segurança. Com isso, o povo faz o resto. Pra mim, a The Baggios é a prova disso.

JD – Talvez eu esteja enganado, mas a necessidade de fugir do tédio ao qual Julico se referiu agora a pouco, parece impregnar os acordes da The Baggios. Se isso for verdade, de que maneira isso foi traduzido em termos de imagem?

Julio Andrade – As atitudes tomadas por Baggio foram claras. Ele percebia que não tinha muito a ganhar naquele cidade, pois sonhava alto, muito além de tocar numa esquina com seus amigos. Então não teria outra opção senão pegar um punga, durante a década de 70, mesmo sem dinheiro e sem mulher, e ir atrás do que ele realmente queria.

 

Diego Oliveira – Em termos de imagem posso dizer que as imagens de fuga e passagem são recorrentes no filme. Tentamos passar muito essa idéia. Sempre há alguém saindo ou pelo menos viajando em termos de histórias, além do som que, em minha opinião é um discurso que entrelinha o filme, amarra algumas idéias. Até por isso, no momento da edição, decidimos não narrar a história, deixando isso por contas das músicas da The Baggios.

JD – Era outra coisa que queria perguntar. De que maneira o som foi utilizado nesse documentário. Ele meio que costura a história, não é isso?

 

Diego Oliveira – As músicas de Julico são muito narrativas, ilustrativas e poéticas, além de serem muito dramáticas e ativas em muitos pontos chave do documentário. É inevitável não colocá-las como linha narrativa do filme. Tem uma cena específica que eu gostaria de mencionar. Na fase de elaboração do roteiro, tentamos dividir o doc em três partes, que seriam as três fazes psicológicas pelas quais Baggio teria passado. São elas a infância, a loucura e a fase sedada. Para mim, o ponto alto do filme e a parte final do doc, onde ele, teoricamente sedado, avalia seu estado passado de loucura, é emocionante e uma experiência única. Você pode ver um cara com a sobriedade de Baggio avaliar seus momentos de maior agitação, com uma classe de um Paulinho da Viola nordestino e punk!

 

JD – A gente já falou das origens da banda e das dificuldades que uma cidade pequena impõe a seus habitantes. Mas a militância no universo independente de qualquer cidade também possui os seus percalços. Quais as maiores dificuldades que a The Baggios encontrou na divulgação de seu trabalho?

 

Júlio Andrade – Questão de grana, antes de tudo. Sempre tive que sair de São Cristóvão para Aracaju pra ensaiar. São raras as vezes em que ganhamos grana tocando. Não tivemos apoio para a reprodução do disco também… Estamos divulgando nosso trabalho mais pela internet, uma forma rápida e prática, mas o que queríamos mesmo era colocar o pé na estrada como os antigos bluesmen em busca de novos botecos e espaços para de fato divulgarmos o que produzimos… Precisaríamos de um bom apoio, o que é muito difícil de se conseguir.

 

JD – E as dificuldades na realização do documentário, foram parecidas?

 

Diego Oliveira – As dificuldades foram as mesmas, principalmente no ponto financeiro. O cinema, no entanto, pelo menos na fase da realização em si, é um troço bastante livre. Os recursos existentes, como software livre e câmeras de amigos, nos ajudam a não depender de grana, ao menos nessa fase.

JD Esse documentário realmente retrata a figura Baggio da maneira que vocês esperavam?

Júlio Andrade – Esse vídeo retrata a vida não de um pirado, como viam Baggio em São Cristóvão, mas de um cara que perseguindo seus objetivos ignorou os padrões e as barreiras do caminho, construindo pontes para alcançar seu sonho.

 

Baggio Sedado

Baggio Sedado: pontes que perseguem um sonho

 

Serviço:

 

Local: Teatro Atheneu

Data: 20 de novembro

Hora: 21 horas

Preço: R$ 10 (meia R$ 5)



The Baggios se apresenta e lança documentário “Baggio Sedado”
Novembro 9, 2007, 3:25 pm
Arquivado em: Imprensa

No dia 20 de novembro, no Teatro Atheneu, a partir das 21h, a banda “The Baggios” se aCartaz do Projeto Prata da Casapresenta em mais uma ediçao do Prata da Casa, evento que premia em 29 categorias os artistas sergipanos que mais se destacaram durante o ano.

Antes da apresentaçao será lançado o documentario “BAGGIO SEDADO”, realização cinematográfica sergipana que resgata um pouco da história do artista são cristovenese chamado Baggio, que influenciou musicalmente a criação da banda e uma geração de jovens da cidade histórica.

SAIBA MAIS
O QUÊ: Show da The Baggios e lançamento do documentário “Baggio Sedado”

ONDE: TEATRO ATHENEU


QUANDO: 20/11/2007(terça-feira) | às 21h

INGRESSOS: R$10 (inteira), R$5 (meia)

VENDA: NA CASA DO ARTISTA E NO STAND DO PRATA DA CASA (SHOPPING JARDINS)



A banda
No ano de 2004, na histórica São Cristóvão, a banda The Baggios foi formada por dois amigos de infância, Lucas Goo na bateria e Julio Andrade na guitarra e voz. O nome da banda é uma homenagem inevitável e referencial a uma figura folclórica da cidade, um músico chamado Baggio, que após tentar a sorte no mundo artístico pelo país pousou novamente em sua cidade natal, incorporado como um andarilho hyppie e mau compreendido das ruas.“A The baggios é a continuação de um sonho não alcançado por um cara simples e com idéias próprias e livres de quaisquer padrões”, afirma Júlio Andrade, vocalista e guitarrista da banda que conta com apenas outro integrante, o baterista Elvis Boamorte.Embebidos nas águas turvas e viciadas da música negra, os acordes envenenados dos garotos da The Baggios misturam ritmos tradicionais como o blues e o black com o velho rockão, numa clara demonstração de que a energia da juventude pode ser conjugada a cultura musical de primeira ordem. Como influências musicais é inevitável citar Jimi hendrix, Muddy Waters, Robert Johnson, The Black Keys, The White Stripes e Jon Spencer Blues Explosion.



Trilha Sonora e Letras do Filme Baggio Sedado
Novembro 9, 2007, 2:00 pm
Arquivado em: Música


Justificativa do Documentário “Baggio Sedado”
Novembro 9, 2007, 1:08 pm
Arquivado em: Sinopse

Sergipe tem um vasto universo de estilos e representações culturais em seu pequeno território, várias vertentes e influências. Apesar disso, teimamos em esquecer o eixo do interior, e meio que direcionamos os olhares para o que é produzido apenas na capital.

São Cristóvão é a quarta cidade mais antiga do Brasil e foi a primeira capital de Sergipe. Fundada em 1590 pelo português Cristóvão de Barros, a cidade tem na Paróquia da Vitória o primeiro patrimônio histórico tombado de Sergipe. Em 2007 a Praça São Francisco, outro ponto turístico, pode vir a ser tombada como patrimônio da humanidade pela UNESCO. É desse cenário ambíguo, urgindo por caminhos de modernidade, mas conservando em seu cerne um ar de patrimônio vivo, que surge uma figura conhecida simplesmente como “Baggio”.

Para muitos ele era apenas um louco. Para outros era a representação viva da manutenção de um espírito revolucionário na pacata cidade, um “punk” interiorano, que apenas com sua resistência a ser comum contribuiu mais do que muitos artistas locais. Mas ao esmiuçar sem sombras a vida do hoje pacato José Sinval dos Santos, temos também a oportunidade de discutir por meios audiovisuais o relacionamento da nossa sociedade com a loucura e com o que é normal.

Com o documentário, idealizado para ser concebido em formato de curta-metragem, tentamos decifrar por meio de imagens e depoimentos de familiares, amigos e estranhos quem é Baggio, e se o seu atual estado mental realmente traduz sua personalidade definitiva. Essa realização também nos dará a oportunidade de aglutinar em torno do projeto diversos artistas alternativos e personalidades excêntricas da cidade, pessoas que, de certa forma, também são vistos com estranheza e preconceitos, e que por isso acabam não recebendo a merecida atenção e valorização no olhar de seus conterrâneos. Seria a oportunidade de redescoberta desses talentos locais, contribuindo para a valorização e auto-estima da própria cidade e, indiretamente, de diversos municípios do interior de Sergipe.



Sinopse do filme “Baggio Sedado”
Novembro 9, 2007, 1:07 pm
Arquivado em: Sinopse

Pronto para guerra, com amarrações nas pernas de Pindoba, pulseiras e brincos, Baggio era um andarilho dentro de sua cidade natal, um símbolo vivo para os garotos iniciantes no estranho mundo da cultura alternativa, e uma prova de resistência cultural para os artistas veteranos da cidade.

Para alguns, infelizmente, Baggio ficou conhecido como um pirado, um louco, alguém longe da norma e que se configurava em uma ameaça andante aos bons e rígidos costumes da pacata cidade. De fato, devido aos traumas psicológicos e a uma herança familiar de disfunções mentais, Baggio passou por algumas crises de descontrole mental, não deixando para a família outra alternativa senão interná-lo.

 

Segundo a mãe dele, no final da década de 80, ele chegou em casa apenas com uma calça e uma jaqueta jeans, sua expressão era de fome e tristeza. A partir daí ele ganhou um novo comportamento, passou a ficar agitado e procurava se isolar da vida urbana, chegando a morar uma época na mata situada próximo de sua casa. Sua sobrinha, há época com 5 anos de idade, colocou o apelido que o eternizaria na cidade: Baggio. Agora com um novo jeito de se vestir, agir e encarar o mundo, Baggio parecia ter deixado de vez o seu passado de sonhos e estava imerso numa realidade só sua, num mundo particular de gigantes fogueiras e viagens.

Após tratamentos a base de remédios pesados e até eletro choques, finalmente a família percebeu que o lugar de Sinval era em casa ao lado dos seus. Hoje, perto dos 60 anos, Baggio é um cara calmo, quase sedado, uma figura distante e ao mesmo presente no imaginário da cidade, limitado a sua esquina e acompanhado de seu fiel cachorro.



Argumento do Filme Baggio Sedado
Novembro 9, 2007, 1:06 pm
Arquivado em: Argumento

Pegando um punga

Rian Santos*

Mente vazia é morada do diabo, e eram tão raras as oportunidades de pecado que não me restava muito a fazer, além de acalentar nojeiras em pensamento. Era como se eu morasse em São Cristóvão, dedilhasse uma guitarra tosca e ruminasse as aventuras de um doido chamado Baggio. Cantam os anos da juventude como uma proeza de cavalaria, campos e moinhos de vento, um desafio na curva de cada esquina, mas o início de minha adolescência foi condenado a quatro paredes de rotina. É essa energia contida, confinada nos limites bem definidos da paisagem de todos os dias, que encontramos no trabalho da banda The Baggios.

Quem duvida pode escutar o CD demo, homônimo, gravado no final do ano passado. Os incautos vão escutar um monte de riffs impregnados de blues e fumaça, ecos setentistas e timbres vigorosos. Para mim, em cada paletada a vontade endoidecida de pegar um trem, fugir ao marasmo de uma cidade morta. Júlio Dodge liga o ampli e é como se cada paralelepípedo da cidade histórica pedisse arrego. Porque São Cristóvão podia, mas não é. Sucumbiu aos homens feito a puta sonhadora, um bordado de ilusões junto aos panos de bunda, o rosto murcho e o bolso vazio no final da madrugada.

Com quinze anos, a mão cheia de calos e uma edição vagabunda dos Contos da Taverna na estante, eu sonhava a embriaguez que minha educação burguesa impedia. Meu plano era arranjar um subemprego para sustentar alguns vícios e me dedicar sem maiores tropeços à redação da prosa insossa de meus dias. Como atesta o presente artigo, meu destino se revelaria menos heróico. A figura Baggio que inspirou os amigos de São Cristóvão, no entanto, foi mais longe. Morou embaixo de pontes, estações de trem, e levou os andrajos de sua poesia para Salvador e São Paulo. No final, alquebrado, retornou a sua cidade natal, para se sentir ainda mais estrangeiro e enlouquecer definitivamente.

Os moleques da banda The Baggios podem se entediar, encher a cara sonhando a Woodstock que nunca viverão e se entediar novamente, sem saber ao certo onde estão indo. Eu, que tenho quase trinta anos mas guardo lembrança de minhas punhetas, escuto suas canções e desconfio que estejam no caminho.

*Colunista do Jornal do Dia