Baggio Sedado


The Baggios se apresenta e lança documentário “Baggio Sedado”
Novembro 9, 2007, 3:25 pm
Arquivado em: Imprensa

No dia 20 de novembro, no Teatro Atheneu, a partir das 21h, a banda “The Baggios” se aCartaz do Projeto Prata da Casapresenta em mais uma ediçao do Prata da Casa, evento que premia em 29 categorias os artistas sergipanos que mais se destacaram durante o ano.

Antes da apresentaçao será lançado o documentario “BAGGIO SEDADO”, realização cinematográfica sergipana que resgata um pouco da história do artista são cristovenese chamado Baggio, que influenciou musicalmente a criação da banda e uma geração de jovens da cidade histórica.

SAIBA MAIS
O QUÊ: Show da The Baggios e lançamento do documentário “Baggio Sedado”

ONDE: TEATRO ATHENEU


QUANDO: 20/11/2007(terça-feira) | às 21h

INGRESSOS: R$10 (inteira), R$5 (meia)

VENDA: NA CASA DO ARTISTA E NO STAND DO PRATA DA CASA (SHOPPING JARDINS)



A banda
No ano de 2004, na histórica São Cristóvão, a banda The Baggios foi formada por dois amigos de infância, Lucas Goo na bateria e Julio Andrade na guitarra e voz. O nome da banda é uma homenagem inevitável e referencial a uma figura folclórica da cidade, um músico chamado Baggio, que após tentar a sorte no mundo artístico pelo país pousou novamente em sua cidade natal, incorporado como um andarilho hyppie e mau compreendido das ruas.“A The baggios é a continuação de um sonho não alcançado por um cara simples e com idéias próprias e livres de quaisquer padrões”, afirma Júlio Andrade, vocalista e guitarrista da banda que conta com apenas outro integrante, o baterista Elvis Boamorte.Embebidos nas águas turvas e viciadas da música negra, os acordes envenenados dos garotos da The Baggios misturam ritmos tradicionais como o blues e o black com o velho rockão, numa clara demonstração de que a energia da juventude pode ser conjugada a cultura musical de primeira ordem. Como influências musicais é inevitável citar Jimi hendrix, Muddy Waters, Robert Johnson, The Black Keys, The White Stripes e Jon Spencer Blues Explosion.



Trilha Sonora e Letras do Filme Baggio Sedado
Novembro 9, 2007, 2:00 pm
Arquivado em: Música


Justificativa do Documentário “Baggio Sedado”
Novembro 9, 2007, 1:08 pm
Arquivado em: Sinopse

Sergipe tem um vasto universo de estilos e representações culturais em seu pequeno território, várias vertentes e influências. Apesar disso, teimamos em esquecer o eixo do interior, e meio que direcionamos os olhares para o que é produzido apenas na capital.

São Cristóvão é a quarta cidade mais antiga do Brasil e foi a primeira capital de Sergipe. Fundada em 1590 pelo português Cristóvão de Barros, a cidade tem na Paróquia da Vitória o primeiro patrimônio histórico tombado de Sergipe. Em 2007 a Praça São Francisco, outro ponto turístico, pode vir a ser tombada como patrimônio da humanidade pela UNESCO. É desse cenário ambíguo, urgindo por caminhos de modernidade, mas conservando em seu cerne um ar de patrimônio vivo, que surge uma figura conhecida simplesmente como “Baggio”.

Para muitos ele era apenas um louco. Para outros era a representação viva da manutenção de um espírito revolucionário na pacata cidade, um “punk” interiorano, que apenas com sua resistência a ser comum contribuiu mais do que muitos artistas locais. Mas ao esmiuçar sem sombras a vida do hoje pacato José Sinval dos Santos, temos também a oportunidade de discutir por meios audiovisuais o relacionamento da nossa sociedade com a loucura e com o que é normal.

Com o documentário, idealizado para ser concebido em formato de curta-metragem, tentamos decifrar por meio de imagens e depoimentos de familiares, amigos e estranhos quem é Baggio, e se o seu atual estado mental realmente traduz sua personalidade definitiva. Essa realização também nos dará a oportunidade de aglutinar em torno do projeto diversos artistas alternativos e personalidades excêntricas da cidade, pessoas que, de certa forma, também são vistos com estranheza e preconceitos, e que por isso acabam não recebendo a merecida atenção e valorização no olhar de seus conterrâneos. Seria a oportunidade de redescoberta desses talentos locais, contribuindo para a valorização e auto-estima da própria cidade e, indiretamente, de diversos municípios do interior de Sergipe.



Sinopse do filme “Baggio Sedado”
Novembro 9, 2007, 1:07 pm
Arquivado em: Sinopse

Pronto para guerra, com amarrações nas pernas de Pindoba, pulseiras e brincos, Baggio era um andarilho dentro de sua cidade natal, um símbolo vivo para os garotos iniciantes no estranho mundo da cultura alternativa, e uma prova de resistência cultural para os artistas veteranos da cidade.

Para alguns, infelizmente, Baggio ficou conhecido como um pirado, um louco, alguém longe da norma e que se configurava em uma ameaça andante aos bons e rígidos costumes da pacata cidade. De fato, devido aos traumas psicológicos e a uma herança familiar de disfunções mentais, Baggio passou por algumas crises de descontrole mental, não deixando para a família outra alternativa senão interná-lo.

 

Segundo a mãe dele, no final da década de 80, ele chegou em casa apenas com uma calça e uma jaqueta jeans, sua expressão era de fome e tristeza. A partir daí ele ganhou um novo comportamento, passou a ficar agitado e procurava se isolar da vida urbana, chegando a morar uma época na mata situada próximo de sua casa. Sua sobrinha, há época com 5 anos de idade, colocou o apelido que o eternizaria na cidade: Baggio. Agora com um novo jeito de se vestir, agir e encarar o mundo, Baggio parecia ter deixado de vez o seu passado de sonhos e estava imerso numa realidade só sua, num mundo particular de gigantes fogueiras e viagens.

Após tratamentos a base de remédios pesados e até eletro choques, finalmente a família percebeu que o lugar de Sinval era em casa ao lado dos seus. Hoje, perto dos 60 anos, Baggio é um cara calmo, quase sedado, uma figura distante e ao mesmo presente no imaginário da cidade, limitado a sua esquina e acompanhado de seu fiel cachorro.



Argumento do Filme Baggio Sedado
Novembro 9, 2007, 1:06 pm
Arquivado em: Argumento

Pegando um punga

Rian Santos*

Mente vazia é morada do diabo, e eram tão raras as oportunidades de pecado que não me restava muito a fazer, além de acalentar nojeiras em pensamento. Era como se eu morasse em São Cristóvão, dedilhasse uma guitarra tosca e ruminasse as aventuras de um doido chamado Baggio. Cantam os anos da juventude como uma proeza de cavalaria, campos e moinhos de vento, um desafio na curva de cada esquina, mas o início de minha adolescência foi condenado a quatro paredes de rotina. É essa energia contida, confinada nos limites bem definidos da paisagem de todos os dias, que encontramos no trabalho da banda The Baggios.

Quem duvida pode escutar o CD demo, homônimo, gravado no final do ano passado. Os incautos vão escutar um monte de riffs impregnados de blues e fumaça, ecos setentistas e timbres vigorosos. Para mim, em cada paletada a vontade endoidecida de pegar um trem, fugir ao marasmo de uma cidade morta. Júlio Dodge liga o ampli e é como se cada paralelepípedo da cidade histórica pedisse arrego. Porque São Cristóvão podia, mas não é. Sucumbiu aos homens feito a puta sonhadora, um bordado de ilusões junto aos panos de bunda, o rosto murcho e o bolso vazio no final da madrugada.

Com quinze anos, a mão cheia de calos e uma edição vagabunda dos Contos da Taverna na estante, eu sonhava a embriaguez que minha educação burguesa impedia. Meu plano era arranjar um subemprego para sustentar alguns vícios e me dedicar sem maiores tropeços à redação da prosa insossa de meus dias. Como atesta o presente artigo, meu destino se revelaria menos heróico. A figura Baggio que inspirou os amigos de São Cristóvão, no entanto, foi mais longe. Morou embaixo de pontes, estações de trem, e levou os andrajos de sua poesia para Salvador e São Paulo. No final, alquebrado, retornou a sua cidade natal, para se sentir ainda mais estrangeiro e enlouquecer definitivamente.

Os moleques da banda The Baggios podem se entediar, encher a cara sonhando a Woodstock que nunca viverão e se entediar novamente, sem saber ao certo onde estão indo. Eu, que tenho quase trinta anos mas guardo lembrança de minhas punhetas, escuto suas canções e desconfio que estejam no caminho.

*Colunista do Jornal do Dia